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Sobre livros eletrônicos

Até o momento, a Radical Livros não possui qualquer título sob a forma de e-book, ou livro eletrônico.

Em primeiro lugar, porque mal conseguimos tocar a editora com todos os afazeres que uma empreitada dessas demanda, quanto mais uma nova.

Mais importante do que esse motivo, porém, é uma certa concepção filosófica do que seja um livro.

Para nós, da Radical Livros, um livro é, antes de tudo, um objeto de intenso prazer e não conseguimos, nem em nossos maiores wild dreams, olhar para uma amontoado de bytes como algo prazeroso.

Seria, acreditamos, relativamente simples transformar os títulos publicados até agora em livros eletrônicos, mas, ao mesmo tempo, teríamos que rever todos os contratos com editoras estrangeiras e autores da casa, pois todos foram feitos sem clásulas referentes a e-books.

Isso seria, sem dúvida, um porre.

Outros motivos que nos levam a adiar esse projeto, por enquanto, indefinidamente, são: o elitismo da coisa, a necessidade de vendermos o que produzimos até agora sob a forma de livros físicos e a estrutura tecnológica que teríamos de montar.

O primeiro motivo pode causar espanto. E-books elitistas? De certa forma o e-book é elitista sim, pois é preciso ter um computador ou um e-reader para consumi-lo e nem todos tem um aparelho desses.

O fato do e-book ser vendido por um preço que não pode estar muito distante do preço do livro físico também nos parece mais uma daquelas contradições capitalistas insuperáveis. Acreditem: se for para pagar 20% ou 30% a menos do que se paga por um livro de papel — preços invariavelmente praticados pelo mercado editorial —, não vale à pena o leitor investir em e-books. Além disso, não só preferimos como precisamos que os livros físicos que já temos em estoque circulem e nos capitalizem para podermos lançar outros livros, em papel ou como e-books.

E, por último, mas não menos importante, não gostaríamos de utilizar as plataformas que estão se formando no país para a venda de livros eletrônicos. Gostaríamos de desenvovler uma plataforma inteiramente independente. E isso demanda investimento de tempo e dinheiro em infra-estrutura e tecnologia, algo que não temos como fazer no momento.

Assim, esperamos que, por enquanto, os possíveis leitores dos títulos da Radical Livros se contentem com um objeto — insuperável em sua qualidade sensorial — que está no próprio nome da editora.

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Devastated ≠ Devastado

Afinal de contas, que diabos quer dizer “devastado”?
Vamos ao pai dos burros:

verbo
transitivo direto
1 destruir de forma arrasadora; talar, assolar
Ex.: uma nuvem de gafanhotos devastou a plantação

transitivo direto
2 despojar com violência; saquear, pilhar, esbulhar
Ex.: a tropa invasora devastou a região

transitivo direto
3 causar dano a; arruinar
Ex.: a ferrugem começava a d. os trigais

transitivo direto
4 tornar deserto; despovoar
Ex.: a doença, ainda desconhecida, vinha devastando a cidade

transitivo direto
5 Diacronismo: antigo.
percorrer (lugar desconhecido); devassar, descobrir
Ex.: d. terras desconhecidas

Como se pode ver pelas cinco acepções que o Houaiss nos dá, a péssima tradução que se faz na imprensa brasileira já há algum tempo de “devastated” como “devastado” é um caso clássico de falso cognato.
Devastated não é devastado, é arrasado.