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A democracia contra ela mesma

A democracia reina sem reservas, absoluta.

A democracia contra ela mesma

Dominou seus velhos inimigos, do lado da reação e do lado da revolução.

Pode ser, no entanto, que ela tenha encontrado seu adversário mais perigoso: ela mesma.

Este livro reúne textos escritos ao longo de vinte anos que examinam sob diferentes faces essa prodigiosa mudança.

Vimos a democracia não apenas triunfar e avançar de maneira decisiva, mas voltar as suas origens ao pôr novamente em foco os direitos do homem e se remodelar com base naquela escola.

Exceto que, por um retorno ainda mais inesperado, essa retomada dos primeiros princípios conduziu, na verdade, a solapar suas próprias bases.

Ela se desfaz ao progredir.

É essa dificuldade que Marcel Gauchet explora, da política à psicologia, passando pela educação.

“Nada fracassa como o sucesso”, observou Chesterton.

A democracia sobreviverá a seu triunfo?

Título: A democracia contra ela mesma
Autor: Marcel Gauchet
ISBN: 978-85-98600-10-9
Formato: 14 x 21 cm
Páginas: 368 p.
Preço: R$39,00 (+ R$8,00 de despesas de envio)




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O complemento do sujeito

Sem dúvida, as posições claramente separadas de ontem não existem mais.

De um lado, os adversários do sujeito aceitam dar lugar, em filosofia, a um sujeito sob a condição de que ele se assemelhe um pouco mais àquilo que revela uma experiência humana: sob a condição de que esse sujeito que eu supostamente sou seja dividido, fragmentado, muitas vezes opaco a si mesmo e, às vezes, impotente, como eu mesmo sou.

Por outro lado, os partidários do sujeito afirmam que não saberíamos como considerar a ideia de sujeito ilusória, mas concedem que este só existiu de modo dividido, fragmentado, opaco e impotente.

Em suma, todos parecem dispostos a dizer que o sujeito foi concebido, injustamente, como dotado de dois atributos aos quais não tinha direito: a transparência e a soberania. Tudo se passa como se um compromisso eclético nos tivesse sido sugerido.

Conservemos nossa ideia de sujeito, mas depois de ter despojado esse sujeito dos atributos com os quais foi revestido nos grandes sistemas clássicos. Abandonemos o sujeito “metafísico” e o substituamos por um sujeito “pós-metafísico”.

No entanto, essa solução não pode realmente agradar.

Ela não nos esclarece as razões que tornam o sujeito necessário se adotamos o ponto de vista dos partidários, fictício se adotamos aquele dos seus adversários.

Tratar-se-ia, portanto, de uma ficção necessária? Necessária para quem?

O sentimento dessa incerteza é o motivo da investigação que começa aqui.

Título: O complemento do sujeito: investigação sobre o fato de agir por si mesmo
Autor: Vincent Descombes
ISBN: 978-85-98600-09-3
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 448 p.
Preço: R$60,00 (+ R$9,00 de despesas de envio)




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A propaganda é a alma do negócio

“O espetáculo de escritores sendo usados para fazer publicidade de seus próprios livros, particularmente os escritores mais jovens, é deprimente e não funciona bem.” –J.M. Coetzee

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/sylviacolombo/977499-coetzee-em-buenos-aires.shtml

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Sociedades de controle

É certo que entramos na era das sociedades de “controle”, que não são mais exatamente disciplinares. Foucault é, no mais das vezes, considerado como o pensador das sociedades da disciplina e de sua técnica principal, o confinamento (não somente o hospital e a prisão, mas a escola, a fábrica, o quartel). Mas, de fato, ele é um dos primeiros a dizer que estamos deixando para trás as sociedades disciplinares, que já não somos mais isso. Entramos na sociedade de controle, que não mais funciona por confinamento, mas por controle contínuo e comunicação instantânea. É evidente que não deixamos de falar de prisão, de escola, de hospital: essas instituições estão em crise. Mas se elas estão em crise, é precisamente nos combates de retaguarda. Vão surgindo, aos poucos, novos tipos de sanções, de educação, de assistência. Os hospitais abertos, as equipes de assistência atendendo a domicílio etc. apareceram já há muito tempo. Podemos prever que a educação será cada vez menos algo fechado, distinta do meio profissional também fechado, e que ambos desaparecerão em favor de uma terrível formação permanente, de um controle contínuo exercido sobre o operário-estudante ou sobre o profissional universitário. Queremos acreditar que se trata de uma reforma da escola, quando na verdade se trata de uma liquidação. Em um regime de controle nunca se destrói completamente qualquer coisa. Você mesmo [Toni Negri], há muito tempo, analisou uma mutação do trabalho na Itália, ocorrida com as formas de trabalho temporário, domiciliar, que depois se afirmaram (o mesmo ocorrendo com novas formas de circulação e de distribuição de produtos). A cada tipo de sociedade, evidentemente, podemos encontrar um tipo de máquina correspondente: máquinas simples ou dinâmicas para as sociedades de soberania, máquinas energéticas para as sociedades disciplinares, as cibernéticas e os computadores para as sociedades de controle. Mas as máquinas nada explicam. É necessário analisar os agenciamentos coletivos entre os quais as máquinas são apenas uma parte. Frente às possíveis formas de controle incessante, em praça pública, pode ocorrer que os mais duros confinamentos nos pareçam pertencer a um passado agradável e benevolente. Há muito com que se preocupar nas pesquisas sobre os “universos da comunicação”. É verdade que, antes mesmo das sociedades de controle terem se organizado plenamente, as formas de delinquência ou de resistência — dois casos distintos — já aparecem. Por exemplo, os casos de pirataria ou os vírus de computador, que substituirão as greves e o que chamávamos no século XIX de “sabotage”(1). Você pergunta se as sociedades de controle ou de comunicação não suscitarão formas de resistência capazes de dar novas chances a um comunismo concebido como “organização transversal de indivíduos livres”. Não sei, talvez. Mas isso não ocorrerá em função de as minorias poderem retomar a palavra. Talvez a palavra, a comunicação, esteja podre. Elas estão completamente impregnadas de dinheiro: não por acidente, mas por natureza. É necessário subverter a palavra. Criar sempre foi coisa diferente de comunicar. Importará, talvez, criar vacúolos de não-comunicação, interruptores, para escapar ao controle.

(1) Sabotagem era originalmente o ato pelo qual os operários colocavam o “sabot” (tamanco) nas máquinas, com o intuito de travá-las. (NT).

Gilles Deleuze, em entrevista a Toni Negri. In: O devir revolucionário e as criações políticas. Novos Estudos CEBRAP, nº 28, out. 1990. Tradução de João H. Costa Vargas. Publicada originalmente em Futur antérieur, nº 1, primavera de 1990.

O que espanta mais? O acerto do diagnóstico ou sua precocidade?

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This guy is a fucking genius

Short people got no reason
Short people got no reason
Short people got no reason
To live

They got little hands
Little eyes
They walk around
Tellin’ great big lies
They got little noses
And tiny little teeth
They wear platform shoes
On their nasty little feet

Well, I don’t want no short people
Don’t want no short people
Don’t want no short people
`Round here

Short people are just the same
As you and I
(A fool such as I)
All men are brothers
Until the day they die
(It’s a wonderful world)

Short people got nobody
Short people got nobody
Short people got nobody
To love

They got little baby legs
That stand so low
You got to pick em up
Just to say hello
They got little cars
That go beep, beep, beep
They got little voices
Goin’ peep, peep, peep
They got grubby little fingers
And dirty little minds
They’re gonna get you every time

Well, I don’t want no short people
Don’t want no short people
Don’t want no short people
‘Round here