Publicado em

“A Livraria Cultura mata as pequenas”

“A Livraria Cultura tem muito apetite e está em todos os lugares, mas chega e mata as pequenas”.

Foi assim que a proprietária da Leonardo da Vinci, tradicional livraria do Rio de Janeiro, reagiu quando indagada sobre a possível abertura da primeira loja da Cultura na cidade.

De certa forma, Milena Duchiade tem razão. Não deve ser nada fácil competir com as belas lojas da Cultura ao seu lado, mas eu seria muito hipócrita se não dissesse que a Livraria Cultura é também uma das melhores redes de livrarias do país.

Afinal, quando a Radical publicou seu primeiro título, A Filosofia do Punk, assim que a primeira grande matéria saiu na imprensa, recebi um email da Livraria Cultura pedindo os dados do livro para que fosse cadastrado no sistema deles e pouco tempo depois, fizemos a primeira consignação junto à rede.

Desde então, lá se vão 5 anos, temos aprendido algumas coisas sobre o mercado livreiro e uma delas é a seguinte: as pequenas livrarias que tentam imitar as grandes redes não tem nenhuma chance de ganhar essa briga.

Quando você aposta nos mesmos filões das grandes redes – best-sellers e livros midiáticos – não está oferecendo nada de diferente da grande livraria. A diferença, a favor das grandes, é que elas oferecem descontos, programas de fidelidade e lojas que são verdadeiras opções de passeio, ao contrário das pequenas, onde você não vai poder deitar em um enorme pufe e, se quiser, ler um pequeno livro em uma tarde. Depois de ter tomado um belo café expresso e ouvido algumas músicas, na seção de CDs, de graça.

Assim, a única chance das pequenas é apostar em uma coisa que há muito se perdeu: livrarias tem que ser comandadas por livreiros de verdade, não pelas listas dos mais vendidos.

É preciso apostar na diversidade dos títulos e em um perfil próprio que possa atrair uma clientela cativa. Caso contrário, cada vez que uma grande loja chegar no seu pedaço, ela com certeza vai matar a sua “pequena livraria pequena”.