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Só por encomenda

E, às vezes, nem assim.

Quem visita as livrarias paulistanas, se depara com uma quantidade gigantesca de livros em cada loja. As livrarias estão abarrotadas de títulos e o fenômeno não é exclusivo da cidade de São Paulo e se repete país afora.

Apesar da enorme quantidade em exibição nas lojas, pode ser mais difícil do que se imagina comprar um livro.

Me dei conta disso ao tentar comprar um exemplar de O tempo redescoberto, volume que encerra a monumental obra de Marcel Proust, Em busca do tempo perdido.

Visitei a unidade da Saraiva da rua Barão de Itapetininga, a unidade da Loyola na mesma rua, a Martins Fontes da praça do Patriarca e a Saraiva da rua São Bento, a poucos metros dali.

Em nenhuma dessas quatro livrarias era possível encontrar o livro em questão.

Na última livraria visitada, a vendedora ofereceu-me o indefectível “Só por encomenda” (ouvido, aliás, mais duas vezes da boca de outros vendedores enquanto eu esperava a vendedora que me atendia confirmar o prazo de entrega do meu pedido).

Depois de registrar a encomenda no sistema, ela entrou em contato com o estoque central da Saraiva para confirmar a entrega do livro.

Nesse momento, descobriu que não seria possível entregá-lo em 24 horas como prometido pois os únicos lugares que efetivamente dispunham de um exemplar do livro estavam em outras praças.

Como eu precisava do livro com urgência para dá-lo de presente, não me restou outra opção a não ser abortar a missão.

Lições que tiro do episódio:

  • Os grandes estoques das livrarias brasileiras são irrelevantes
  • O consumidor brasileiro de livros está impedido de obter um dos poucos prazeres do ato de compra: instant gratification.
  • Os livreiros não sabem mais o que é um clássico

Como disse à solícita vendedora da Saraiva, depois não adianta reclamar da concorrência…