Sem dúvida, as posições claramente separadas de ontem não existem mais. De um lado, os adversários do sujeito aceitam dar lugar, em filosofia, a um sujeito sob a condição de que ele se assemelhe um pouco mais àquilo que revela uma experiência humana: sob a condição de que esse sujeito que eu supostamente sou seja dividido, fragmentado, muitas vezes opaco a si mesmo e, às vezes, impotente, como eu mesmo sou. Por outro lado, os partidários do sujeito afirmam que não saberíamos como considerar a ideia de sujeito ilusória, mas concedem que este só existiu de modo dividido, fragmentado, opaco e impotente. Em suma, todos parecem dispostos a dizer que o sujeito foi concebido, injustamente, como dotado de dois atributos aos quais não tinha direito: a transparência e a soberania. Tudo se passa como se um compromisso eclético nos tivesse sido sugerido.
Páginas: 448
Formato: 14 x 21 cm